A BIGhub recebeu um investimento de dois milhões de euros da Blue Crow Capital, com a possibilidade de mais um milhão nos 12 meses seguintes. Paralelamente, garantiu um financiamento de oito milhões de euros para criar o BIGcash, um serviço que promete transferências imediatas aos lojistas e elimina o habitual período de espera de 45 dias. Numa entrevista à PME Magazine, Rúben Lamy, fundador e CEO da empresa, explica o modelo em pormenor.
Os comerciantes vendem através da BIGhub nos marketplaces, pelo que o pagamento a estas plataformas é efetuado à nossa empresa, o que nos permite adiantar o valor das vendas e, posteriormente, recebê-lo diretamente do marketplace em questão
Rúben Lamy, fundador e diretor executivo da BIGhub
A origem do negócio
Segundo o CEO, a BIGhub surgiu da necessidade de integrar empresas nos vários marketplaces europeus de forma simples, sem burocracias e com pagamento rápido, um processo que, em condições normais, tende a ser moroso. Qualquer lojista ou fornecedor pode registar-se na plataforma, bastando cumprir os termos e condições dos marketplaces.
Marcos e desafios
A empresa conta já com mais de 400 lojistas na plataforma, 41 colaboradores e está presente em cinco países: Portugal, Espanha, Alemanha, Itália e França.
Entre os desafios, Rúben Lamy destaca a falta de investimento inicial, que obrigou a manter o negócio com base nas ideias e no empenho dos colaboradores, e a complexidade tecnológica: «cada marketplace tem um software diferente, pelo que se torna um desafio gerir as particularidades de cada um». Atualizar constantemente os produtos em cada plataforma é outro obstáculo, agravado pela distância a que os gestores dos marketplaces operam em relação aos clientes.
Para onde vai o investimento
O capital não se destina apenas à expansão. Parte dele é destinado ao reforço dos recursos humanos e ao desenvolvimento das áreas de tecnologia e otimização de processos. No que diz respeito à internacionalização, está prevista a abertura de um escritório em Paris, sendo o mercado francês a principal prioridade. A empresa admite ainda explorar mercados fora da Europa, nomeadamente o Brasil e a Colômbia.
A contratação de novos talentos centra-se nas áreas comercial, tecnológica e de gestão.
Como funciona o BIGcash
O BIGcash adiantam o dinheiro das vendas aos lojistas e anunciantes do BIGhub, permitindo o pagamento num dia, em vez da transferência efetuada pelas plataformas de comércio eletrónico, que pode demorar até 45 dias. Este atraso está associado a prejuízos na reposição de stock e na expansão do negócio, devido à falta de um fluxo de caixa adequado.
O vendedor de comércio eletrónico envia as encomendas e, no dia seguinte, a BIGcash paga até 100% das vendas líquidas
Rúben Lamy, fundador e diretor executivo da BIGhub
Segundo o CEO, o cliente pode, assim, reabastecer o stock ou comprar produtos para revenda, e as vendas podem potencialmente aumentar sete vezes nos primeiros 90 dias. O diferencial, afirma ele, reside no retorno imediato dos pagamentos e na agilidade, em até 24 horas após as transações.
Visão para os próximos cinco anos
O objetivo é que as receitas atinjam os 150 000 euros por mês. Daqui a cinco anos, a BIGhub pretende estar presente em todos os marketplaces, comercializando entre 13 000 e 14 000 produtos por dia.
A integração da inteligência artificial nos processos é outro objetivo, em curso em colaboração com as Universidades de Évora e do Algarve. A primeira está focada na tradução das especificidades dos produtos para todas as línguas; a segunda, no desenvolvimento de um agente virtual que ligue os diferentes marketplaces e garanta apoio ao cliente 24 horas por dia.
Conclusão
Ao reduzir o ciclo de recebimento de 45 dias para 24 horas, a BIGhub coloca a liquidez no centro da sua proposta de valor para os vendedores dos marketplaces, apoiada num investimento que financia simultaneamente a equipa, a tecnologia e a entrada em novos mercados.
























